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Existe um número infinito de pensamentos estratégicos e táticos aplicados ao futebol que sem dúvida são como uma luva, ou melhor, um gol se aplicados na gestão das empresas brasileiras. Para que tudo isso não se torne apenas um eufemismo, a analogia em questão é rica, pois quando falamos em futebol também estamos refletindo de saída em uma coisa que não foi criada por nós e nos tornamos os melhores do mundo nesse assunto.
Na verdade de saída podemos refletir também que nesta área de atuação somos de primeiro mundo, mesmo sendo uma nação de terceiro mundo. E os investimentos, a tecnologia, as diversidades, estas tantas coisas que são empecilhos e fazem os novos empreendimentos soterrarem logo nos seus primeiros anos de vida? Verdadeiramente hoje algumas das grandes marcas disputam palmo a palmo o patrocínio da camisa da nossa seleção, mas isso é hoje, porque ontem quando iniciamos no futebol, nós éramos ninguém. Naquele campo de terreno com dimensões de 90 a 120 metros de comprimento e de 45 a 90 metros de largura, nas partidas internacionais entre 100 e 110 metros de comprimento, e entre 64 e 75 metros de largura, fizemos chover, fazer sol, rir e chorar. Colocamos um amor tão imenso e tão intenso que em primeiro lugar o que era para ser mais um esporte transformamos em arte e com arte passamos a ter os melhores trabalhadores e gestores do mundo nesse assunto. Seria uma blasfêmia dizer que Deus é brasileiro, então vamos ficar com a segunda opção: a bola é brasileira. Mas você sabe por quê? Existe foco, treinamento exaustivo, alinhamento, saber aonde vai se chegar. Ainda o que me parece mais importante para a gestão empresarial nesses tempos que se deseja o caminho mais curto e oportunista, o sucesso é oriundo de muito sacrifício, horas de dedicação e amor, mas muito amor não apenas pelo que se faz, mas pela essência do que se faz.
A regra é igual, podemos dizer que há uma normatização. O número de trabalhadores em campo é igual, quer dizer uma restrição de equipe. Só é permitido um gestor e uma equipe técnica. Não podemos ser inocentes ao ponto de dizer que salários e avanços no campo das habilidades e competências da equipe são iguais. Mas entre os líderes de mercado, quer dizer, as seleções favoritas, há uma equiparação. O talento e a capacidade de surpreender, leia inovação, é o que fará e faz a diferença. Nesses aspectos no futebol temos sido mister, inclusive quando acabamos sendo salvos num lance de talento individual. Desta forma, outra lição para aprendermos, somos craques em obedecer às regras e os processos, sem perder a nossa ginga, flexibilidade, espírito altruísta, o nosso falatório, a nossa criatividade, o nossa gana de sermos os melhores, o nosso momento individual a serviço do coletivo.
As regras não nos atrapalham, o que nos enlouquece é a falta de oportunidade de compartilhar a tomada de decisão. Felizmente ou infelizmente, nessa matéria não encontramos caminho do meio, se o gestor não quer a participação do seu colaborador ele se anula. Se o gestor chama o colaborador na responsabilidade ele faz que nem no futebol, se envolve. Aí sai de perto, somos imbatíveis. É gol de trivela, é passe de letra, é chapeuzinho, chuveirinho e traz a toalha e sabonete porque não tem pra ninguém. A seleção brasileira estreou apática, pesada e lenta. Cada um pode tirar suas próprias conclusões, nas nossas essa seleção já começa a dar os primeiro sinais de que o ego do líder é maior que o ego da equipe. O resultado é a extrema angústia em querer acertar e o profundo medo de cometer um erro.
O futebol é considerado o esporte mais popular do mundo, pois cerca de 270 milhões de pessoas participam das suas várias competições. O objetivo do futebol é fazer o gol e quem faz mais gol se torna vencedor. É engraçado como culturalmente não nos damos bem com esse negócio de metas e indicadores, lá no futebol o gol para nós não basta. É preciso respeito com o ofício de jogar e chutão pra cima é apelar para ignorância, mesmo atingindo as metas e os indicadores de ter vencido a partida. Pode até parecer filosofia de botequim, mas temos um DNA por excelência, na excelência da qualidade. É uma boa pergunta para fazermos para os nossos gestores ou para nós enquanto gestores, porque não atingimos resultados satisfatórios com as nossas equipes se temos culturalmente um DNA de qualidade por excelência?
Talvez nós não nos tornemos vencedores dessa Copa. Mas, muito além das minhas dúvidas, nossos adversários irão temer nossos jogadores. Ao mesmo tempo que há uma gana em vencê-los, tudo se mistura a uma grande admiração pela marca emblemática de uma camisa que carrega uma constelação de estrela por suas vitórias e pelos homens que fizeram a sua história. Enfim, uma marca não é apenas grande porque fez um produto de sucesso hoje. A gestão empresarial tem que aprender com o futebol brasileiro que uma marca é grande principalmente porque gerou homens e mulheres com uma história de sucesso.
Entre outras coisas é por isso que o Kaká não descansou enquanto não ficou com a DEZ e no último jogo, muito além de ter jogado bem ou mal, inconscientemente cobramos dele o que ele assumiu. Ele assumiu a camisa dos melhores e não correspondeu. Mas de outro lado esse valor salienta um aspecto muito importante na gestão empresarial - o estagiário tem que sonhar em vestir a camisa do Pelé da empresa ou essa empresa está fadada a perder sua torcida.
O grande lance não é apenas ver nos olhos dos nossos clientes o dever cumprido, mas a vibração de nossos clientes por nós termos atingido o seu sonho – O que tem a mesma graça e beleza do goool apaixonante.