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02/07/2010

Gestão e Futebol - Parte III. O pênalti.

por Paulo Ricardo Silva Ferreira

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Via de regra insistimos em dizer que o pênalti é o momento mais injusto porque decide na sorte o jogo, a vitória, o sucesso, quem fica e quem vai embora, o campeão. Só para não sermos injustos com os batedores de pênalti e mais exatos, a goleira  é formada por dois postes verticais separados 7,32 metros entre si, unidos por um travessão horizontal cuja a borda inferior está a 2,44 metros do solo.  É quase um feito milagroso o goleiro atacar. Via de regra, também na empresa a sorte nunca acompanha o perdedor.

    Vamos nos permitir a comparar o pênalti com a tomada de decisão na empresa. Só pela expressão do rosto já dá para saber que o sujeito está sentindo a carga da responsabilidade. O mundo está sobre ele, o futuro está sobre ele, para o perfeito, aquele qie nunca erra, enganar-se é o abismo. Seguidamente vemos o craque errar o pênalti, na empresa também, seguidamente a tomada de decisão mais engessada vem daquele considerado o melhor tecnicamente.  Uma tomada de decisão que deseja que as pessoas saiam dali dizendo esse é bom, a bola castiga e bate no travessão. A bola abençoa os humildes, aqueles que pensam nos colegas, aqueles que dão tudo pela camisa e redondinha fruto de um chute forte e certeiro, ela vai parar nas redes.

    No campo de futebol, dentro da grande área, há uma marca a 11 metros do ponto médio da linha do gol, para que seja feita a cobrança do pênalti. Existem milhões de momentos como esses nas nossas vidas pessoais e profissionais.  O pênalti sempre existiu, existe e sempre existirá. Esse momento quando estou diante do problema e o problema diante de mim. Os empreendedores, os empresários, aqueles que lidam com a inovação, os criativos sabem muito bem do que estamos tratando, pois na vida deles não estar na marca do pênalti que é anormal.  Décadas atrás as teorias administrativas acreditavam que para obter sucesso nessa hora deveríamos estar cercados de números, estatísticas, gráficos disso e daquilo. Atualmente o novo pensamento em Gestão de Pessoas defende a idéia de que quanto mais eu me sinto acolhido, amado, respeitado, no meu ambiente de trabalho mais sucesso terei nessa ação.

    Com certeza o batedor de pênalti ao se dirigir para a bola não pensa de forma fria e calculista que se bater com a parte lateral do pé numa velocidade de "X" por hora, ela fará um ângulo de 40 graus, com uma elevação perpendicular de "n" centímetros e estará no fundo da rede. Claro que não. Pensamos que naquele momento o batedor de pênalti vai em direção da bola só com a emoção de ter filhos lindos, de ter colegas que o respeitam, do último beijo que deu na esposa e que mesmo errando, o grupo lhe acolherá com carinho. Golllooo!!! Lá vai ele para a torcida compartilhar a vitória, que é vitória também e particularmente daqueles que o amam.  

O pênalti é o melhor indicador para medir a liderança. Como agem nossos liderados em relação ao seu trabalho quando não estamos de olho neles? O que pensam os trabalhadores de nossas empresas quando são livres para expressar como realmente vêm as coisas? Como tratamos aspectos como o meio – ambiente, a  segurança, o clima, as relações interpessoais, nossas responsabilidades sociais? Todas essas questões diariamente estão na marca do pênalti das empresas e acabamos dando um chutão lá para depois da torcida. 

    O ranking 2010 das Melhores Empresas para Trabalhar na América Latina mostra que a confiança independe da tradição gerencial do país ou do porte e pode ser construída por qualquer empresa.  Empresas vitoriosas têm relacionamentos baseados na confiança. Fazer um gol de pênalti não é uma questão de sorte ou azar. No futebol e no ambiente empresarial confiança é vantagem competitiva.
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