Fundação dos Administradores do Rio Grande do Sul

FA.RS

Conhecimento na Prática

Entrevistas

Tamanho da letra: Diminuir  *  Aumentar
21/12/2005

Administrador João Andrade

Entrevista do Administrador João Andrade à Revista Iniciativa, n.º5 de Mar/Abr 2005

1- O Banco de Cabo Verde (BCV) baixou, a 24 de fevereiro, em 1% (um por cento) a Taxa de Juros. Qual a motivação/base para tal medida?
A lei orgânica determina que o Banco Central enquanto autoridade monetária tem por atribuição principal a manutenção da estabilidade de preços.  Também compete promover a liquidez, e solvência e o funcionamento adequado do sistema financeiro.Desde  Dezembro de 2004  que se vem dando sinais para o mercado, primeiro baixando o coeficiente de reservas mínimas de caixa de 19% para 18% e agora a taxa de cedência de liquidez aos bancos comerciais de 8.5% para 7.5%. Estamos, por conseguinte, a indicar qual o sentido da política monetária nesta conjuntura.

Durante algum tempo, o sentido da Política monetária era de maior prudência devido aos desequilíbrios macro-económicos.  Era necessário reequilibrar a economia. Actualmente existe outra situação na qual se baseou para introduzir maior flexibilização da política monetária.  Efectivamente o quadro macro-económico é mais favorável, pois,

·        O índice de preços no consumidor teve variação negativa em 2004, num ambiente de crescimento económico (-1.9%),

·        As reservas, enquanto almofada que absorve os choques externos e garantia do actual regime cambial, estão tendo um desempenho extremamente favorável, atingindo níveis absolutos nunca antes atingido no passado recente. Em termos relativos, estão a 2.3  meses de importação, quanto já tivemos menos de 1 mês,

·        A balança de pagamentos teve comportamento positivo em 2004, apesar do desequilibro estrutural da balança comercial,

·        A política orçamental tem sido prudente, pois no passado alguns dos desequilíbrios macro-económicos tiveram origem numa política orçamental expansionista, deteriorando a balança de pagamentos e reduzindo as reservas externas, criando pressão sobre os recursos e aumentando as taxas de juros no mercado. Actualmente as taxas de títulos de divida publica mantêm uma tendência de redução, passando (Bilhetes de  Tesouro  a 91 dias) de 8.24% em 30/12/2003 para 5.56% a 27/12/2004, ou seja uma redução de 2,68 pontos percentuais um desempenho que se pode considerar bom  para uma economia com um mercado financeiro pouco desenvolvido.

2- Que impacto terá essa baixa da Taxa de Facilidade de Cedência na Economia cabo-verdiana, em vigor a partir de 26 de Fevereiro? 
O banco central, numa economia de mercado, não determina o nível das taxas de juros, apenas dá indicações ao mercado sobre o sentido da política monetária. No longo prazo o banco central  apenas pode influenciar o nível de inflação, que por sua vez influencia o nível real das taxas de juros. Um nível elevado das taxas de juros reais, teoricamente impede mais investimentos porque faz uma selecção de projectos de acordo com a sua rendibilidade e com menos investimentos temos menos crescimento económico. Na pratica, pode aumentar o credito mal parado porque os agentes entram em situação de incumprimento para com a banca porque os projectos não gerem recursos suficientes para satisfazer as responsabilidades assumidas. Baixando a taxa, esperamos, que haja um efeito em cadeia de redução de taxas de juros no mercado. No entanto, o efeito esperado  depende também de outros factores como a própria estrutura do mercado, ou seja do nível de concorrência no mercado.

3- O que isso pode representar para as Pequenas e Médias Empresas? 
 Baixando as taxas directoras ha condições para os bancos comerciais baixarem as taxas praticadas, logo há possibilidade de mais projectos serem elegíveis para financiamento. Daí a possibilidade de mais investimento e mais emprego que potenciam o crescimento do produto. Sabemos que as PME são a maior parte do tecido empresarial nacional,  e são as que mais dificuldades tem no acesso ao credito, porque neste momento as alternativas de financiamento são escassas ou não existem.  Estamos falando da inexistência de um mercado de capitais  e que normalmente constitui uma  alternativa  de financiamento.

4- Acha o Banco de Cabo Verde que com essa medida vai haver o despertar e atracção  de novas iniciativas empresarias (Porquê)?
Certamente que essa medida não é suficiente para proporcionar um elevado numero de novos projectos, porque isso depende não só da taxa de juro mas também do próprio acesso ao credito. Depende também da existência do espirito empreendedor e da iniciativa própria em correr riscos próprios da actividade empresarial. No entanto esperamos um efeito positivo nas expectativas dos empresários e de todos os agentes económicos, porque como dissemos, é o custo de um factor de produção que é reduzido e que muitos projectos passam a ser viáveis.  É  mais um incentivo de entre vários que dinamizam o empresariado.

5- Vai haver novas baixas no futuro (Ou a baixa de 24 de Fevereiro será retirada)?
Tudo depende do comportamento da economia, que por sua vez depende  do comportamento dos agentes e das políticas implementadas. Mantendo  a tendência actual haverá condições para mais reduções, caso contrario verificando uma deterioração da economia é natural haver uma resposta  consentânea para restabelecer os equilíbrios fundamentais.

Imprimir   *   Indicar
*********************************************

Todas entrevistas

Testemunhais

"Parece que foi ontem, mas veja só, já se passaram nove anos desde aquele 09 de dezembro de 1996!Naquela data, tudo era sonho, ambição, com boas pitadas de coragem, muita competência e determinação. Chegamos em 2005 e o sonho virou realidade, são nove anos de profissionalismo, competência, garra, determinação em prol de uma causa comum: a qualificação profissional. Parabéns à Fundação dos Administradores do Rio Grande do Sul, que, com certeza, é uma criança precoce, que aprendeu a crescer com seus "pais", os Administradores de primeira linha."
Diretor Administrativo
Conselheiro Curador da FA.RS

Adm. Sérgio Vallim

Federação das Santas Casas

©2006 - FA.RS - Todos os Direitos reservados

Produzido por A2C